Manoel José Vianna, Português, residente em Sam Christovam (Sergipe)
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Cap 5 Ascendentes de Joana
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O registro dos negócios de Manoel José Vianna publicados na imprensa da época dão uma boa idéia sobre o tráfico interno de escravos para as agroindústrias sucroalcooleira e cafeeira. Mostra também que havia todo tipo profissão, etnia e origem geográfica e nacional tanto de senhores quanto de escravos. Num registro interessante surge a informação de um padre que vende seu escravo. Ou seja a instituição da escravatura estava bem firme e permeava todos s setores da sociedade.
Mais abaixo, no mapa vêem-se as rotas de tráfico de escravos e ilustrações que segundo Tia Yolanda Meirelles foram inspiradas na imagem de Manoel José Vianna. A maior delas retrata Manoel ainda jovem e foi produzida por um pintor amigo da família, com base em imagens da época e compõe uma série de pinturas sobre a vida no mar. A menor é parte de uma caricatura inglesa.
Recortes da imprensa da época dão conta de suas atividades no mar, inclusive de um dos patachos de sua propriedade, o São Paulo.
Educação e Ferrovias - Crise na Família
A Educação foi uma grande unanimidade em todos os ramos da família. Entre os diversos lemas que se ouvia com freqüência de todos os ramos destacam-se os seguintes:
Nas memórias de seu filho José Pedro, Manoel José Vianna era percebido por ter a seguinte lista de valores:
No seu repertório havia com freqüência adaptações para bonecos dos autos sacramentais de Gil Vicente e da trilogia das barcas, as arlequinadas do Minho e Tras-os-montes, mas também as peças mais conhecidas do teatro jesuítico brasileiro de cunho catequético, e eventualmente adaptações abrasileiradas dos clássicos Pierre Pathelin, Punch and Judy, Shrovetide de Hans Sach , das Abele Spelen já retrabalhadas por holandeses do Pernambuco batavo e a saborosa Todomundo. Mas o ponto alto e de maior sucesso eram as próprias criações suas e de seus colaboradores que já incorporavam os elementos culturais das etnias afrobrasileiras e indígenas de Sergipe.
Manoel José Vianna
Recortes da imprensa da época dão conta de suas atividades no mar, inclusive de um dos patachos de sua propriedade, o São Paulo.
Viannas de
São Cristóvão
No livro de São Cristóvão encontra-se uma provável irmã de Manoel José Vianna que pode dar pistas
sobre seus pais. Observe-se que as informações dadas pelo arquivo de Sergipe
indicam que os assentos anteriores a
1845 foram destruídos ou trasladados para Salvador. Abaixo pode ser vista cópia
do assento encontrado.
Lv Igreja NS
da Vitória pg 141 - Antonia Maria
Vianna nascida em 1821 falecida a 30.05.1885 de inflamação, filha legítima de
Pedro José Vianna e Maria Josefa Vianna.
· Óbitos 1864-1886 -
Imagem 143
A Educação foi uma grande unanimidade em todos os ramos da família. Entre os diversos lemas que se ouvia com freqüência de todos os ramos destacam-se os seguintes:
1)
Educar-se é dever
e responsabilidade de cada um.
2)
A conquista
pessoal da educação é que faz alguém vencer na vida.
3)
Para não se
decepcionar não espere que o Estado, ou
a Escola, ou os professores lhe proverão educação, pois só seu esforço pessoal
lhe dará conhecimento e habilidade.
Por outro lado,
a cultura ferroviária foi motivo de
admiração e discórdia na família segundo relatos de meu pai . Graças a ele e a
meu irmão Alfredo (que trouxe meu primeiro kit de trens Märklin HO da Alemanha
após a sua viagem de Guarda –marinha) a tradição de ferreomodelismo e a valorização de ferrovias me foi
transmitida.
Barão de Mauá ou
Visconde de Mauá (1813-1889) industrial e político brasileiro, pioneiro da
industrialização no Brasil, ídolo dos
capitalistas e empreendedores brasileiros do século XIX, fez admiradores na
família e também pessoas avessas e questionadoras de sua obra. Foi responsável
por grandes obras como um Estaleiro no Rio, a pioneira Companhia Fluminense de
Transporte e a primeira estrada de ferro do país ligando o Rio de Janeiro a
Petrópolis, a pioneira Companhia de Navegação a Vapor do Rio Amazonas .
Investiu como sócio de capitalistas ingleses e cafeicultores paulistas nas
ferrovias do Recife and São Francisco Railway Company e a de Salvador que
chegavam até o Rio São Francisco, na
construção da ferrovia dom Pedro II, atual Central do Brasil e da São Paulo
Railway, hoje Santos-Jundiaí, criou a pioneira Companhia de Iluminação a gás do
Rio de Janeiro, fundou, no final da década de 1850, o Banco Mauá, MacGregor
& Cia, com filiais em várias capitais brasileiras, como também em Londres,
Nova Iorque, Buenos Aires e Montevidéu. Ajudou a fundar o segundo Banco do
Brasil pois o primeiro havia falido em 1829,
entre várias outros empreendimentos.
Iniciou a construção do canal do mangue no Rio de Janeiro e foi o
responsável pela instalação dos primeiros cabos telegráficos submarinos,
ligando o Rio de Janeiro à Europa.
Do lado dos parentes de Antonio Ferreira da Silva
Quintella devido a suas origens inglesas (Norton, Warren e Terry) houve sempre um desejo forte de expandir aqui
as ferrovias. Todavia este ramo tinha forte solidariedade com o Império por
ocasião da Guerra do Paraguai . Antonio Ferreira da Silva foi presidente do
Banco Rural e Hypothecario que financiou os custos da Guerra e prosperou com
isto. Este ramo criticou e se afastou de Mauá
ao saber de sua traição em apoiar o Uruguai contra os interesses do
Brasil, fornecendo os recursos financeiros necessários à defesa de Montevidéu
quando o governo imperial decidiu intervir nas questões do Prata em 1850, e
assim, tornou-se persona non grata no Império. Os Vianna por serem da Guarda
Nacional e ligados a açucarocracia
sergipana não tinham por ele nenhuma simpatia.
O Barão de Mauá (1813-1889) era gaúcho e filho do fazendeiro João
Evangelista de Ávila e Sousa e Maria de Jesus Batista de Carvalho. Órfão de pai
aos oito anos de idade, foi criado por
um tio, capitão da marinha mercante. Foi balconista de uma loja de
tecidos, caixeiro e depois sócio da Companhia Inglesa Richard Carruthers,
especializada em importação. Em 1837
adquire uma chácara em Santa Teresa. Chamava seus empregados de “auxiliares”
como os Antonios. Identificava-se ainda com os Antonios José de Meirelles – pai
e filho- por seu dinamismo, sua ascensão vindo de baixo, pela antipatia que
nutria pelos senhores de engenho e pela
corte, por dar abrigo a escravos libertos ou foragidos, alguns dos quais
ligados aos esforços libertários dos Antonios.
Em 1854 fundou a
Companhia de Iluminação a gás do Rio de Janeiro e no dia 30 de abril inaugura
15 km da primeira estrada de ferro ligando o Porto Mauá na baía da Guanabara à
encosta da Serra da Estrela. Entre os convidados estava Dom Pedro II, que no
mesmo dia concede a Irineu o título de "Barão de Mauá". A locomotiva
recebe o nome de Baronesa em homenagem à esposa do Barão. Inaugurou nesse mesmo
ano o trecho inicial da União e Indústria, primeira rodovia macadamizada do
país, entre Petrópolis e Juiz de Fora, apenas
quatro anos após a fundação da primeira de todas as estradas de rodagem
do país de Mangaratiba a Rio Claro – RJ por D Pedro II.
Apesar de todas as
realizações o Barão de Mauá terminou falindo. Em 1874 recebe o título de
Visconde de Mauá. Em 1875 com o encerramento do Banco Mauá, viu-se obrigado a
vender a maioria de suas empresas a capitalistas estrangeiros. Doente, sofrendo
com a diabetes, só descansou depois de pagar todas as dívidas, encerrando com
nobreza todas as suas atividades, embora sem patrimônio. Este fracasso final e absoluto acabou fazendo
com que toda a família acabasse por ter
dele uma imagem negativa. Mesmo os Antonios, que por terem o espírito de
imigrantes, julgavam que a única forma de afirmar-se numa sociedade estranha e cruel era o sucesso. Por isso os mais jovens da família, já no
fim do século XIX, criticavam enfim a
diversificação excessiva, a falta de foco,
a inabilidade política para sustentação dos negócios, e o desalinhamento
com o que seria na época um conjunto de fatores críticos de sucesso, com toda razão.
Irineu Evangelista de Sousa faleceu em
Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 21 de outubro de 1889, pouco antes da queda
do Império.
Na visão de todos os negociantes na família, que eram
entusiastas das ferrovias e do modelo
inglês de desenvolvimento baseado em Ciência e Tecnologia, o erro fatal
cometido pelo barão foi sua falta de foco nas ações. Isto impossibilitou
investimentos em educação científica e tecnológica que dariam continuidade nos
negócios ferroviários. Mauá, como os
demais falsos heróis fabricados artificialmente pelos republicanos foram
fracassados ( para citar apenas alguns: Tiradentes – rebelde derrotado por
falta de planejamento; Euclides da Cunha – corno bravo que com sua
inconseqüência provocou uma tragédia familiar com sua morte e a de seu filho a
tiros pelo tenente Dilermando, amante de sua mulher.). Eis porque o país não decola. Founding
Fathers ou heróis devem ser necessariamente muito poucos, de reais e
incontestáveis realizações para inspirarem os cidadãos comuns a pelo menos
planejarem suas vidas, para que a morte ocorra antes que termine o sucesso.
Mesmo assim a filosofia dominante na família é que o homem auto-suficiente deve
ser capaz de se realizar e se liderar sem culto a heróis e discretamente servir
de exemplo para o povo. Enquanto na
Inglaterra celebram os sucessos retumbantes de Sir Isaac Newton ( O físico e herético lorde sepultado em glória na abadia
de Westminster) e Michael Faraday (O
físico celebrado na nota de 20 libras), no Brasil os heróis são
homúnculos de meia tigela e pés de barro. Por isso é melhor não cultuar
personalidades públicas.
Os Antonios da família apesar de discretamente
conduzirem seus negócios tiveram esta sabedoria vária: Valorizar a Educação em
Ciência e a Tecnologia, dar foco em seus
negócios e manter o sucesso até o fim de suas vidas.Nas memórias de seu filho José Pedro, Manoel José Vianna era percebido por ter a seguinte lista de valores:
Manoel José Vianna e o Theatrinho Popular de Vianna em São Cristóvão
Uma das facetas mais fascinantes da vida multifacetada de Manoel José Vianna foi sua atividade em teatro. Documentada no Correio de Sergipe 29/9/1847 por um roubo no seu theatrinho, como se vê abaixo.
Segundo
se sabe da tradição oral familiar e dos registros populares o theatrinho
particular dirigido por Manoel José Vianna era um misto de atores e bonecos o
que o distinguia do clássico mamulengo do nordeste e dos bonequeiros europeus. As
dramatizações de sua lavra iam além das temáticas religiosas ligadas às
festividades da Igreja, celebrando também as efemérides da família real. Além
das alegorias e metáforas educativas ou encomiásticas à realeza e aos santos
(noblesse et securité obligent), eram produzidas também cenas de crítica acerba
e de humor pesado a certas figuras mal quistas da sociedade.
Interações multivariadas no theatrinho
popular de Vianna de São Cristóvão
O seu diferencial consistia em ir
além das interações canônicas: boneco- boneco, boneco- manipulador (o Mão
molenga, Babau ou Benedito) boneco- público, manipulador- público. Suas criações
introduziam um ou mais atores, mascarados, cantores e coristas que interagiam,
ora livremente, ora dentro de scripts com os demais elementos do espetáculo.
Ademais alguns destes atores surgiam como elementos surpresa competindo como
babaus trazendo bonecos de natureza diferente visando dar um choque estilístico
na cena.
Nos baús de família foram
encontradas referências e fragmentos de vários tipos de bonecos que são
ilustrados a seguir. Esta variedade de bonecos, cenários e peças nos leva a
crer que Manoel José Vianna liderava em São Cristóvão um verdadeiro laboratório
e escola de bonecaria. Eram usados em sua companhia de teatro fantoches,
marionetes, bonecos de vara e de sombras, dedoches, títeres variados sob a
influência não só da tradição lusa e outros países europeus, mas também dos
diversos povos com que os portugueses fizeram contato na Ásia e África. Esta
mescla exótica incluía principalmente elementos dos teatros wayang de
Timor, Bunraku do Japão e do
petit-miroir chinoise Pi ying xi de Macao.
No seu repertório havia com freqüência adaptações para bonecos dos autos sacramentais de Gil Vicente e da trilogia das barcas, as arlequinadas do Minho e Tras-os-montes, mas também as peças mais conhecidas do teatro jesuítico brasileiro de cunho catequético, e eventualmente adaptações abrasileiradas dos clássicos Pierre Pathelin, Punch and Judy, Shrovetide de Hans Sach , das Abele Spelen já retrabalhadas por holandeses do Pernambuco batavo e a saborosa Todomundo. Mas o ponto alto e de maior sucesso eram as próprias criações suas e de seus colaboradores que já incorporavam os elementos culturais das etnias afrobrasileiras e indígenas de Sergipe.
Inserção do Theatrinho Popular no cenário do Rio de Janeiro
O Theatrinho Popular de Manoel
José Vianna esteve em operação no mínimo
desde 1840. Há notícias algumas vindas suas, ainda jovem, ao Rio, provavelmente se preparando para lançar o Theatrinho em São Cristóvão. Numa ocasião assistiu e guardou folhetos (de 3/3/1838) da apresentação da tragédia de Antonio José
Gonçalves da Magalhães no Theatro Constitucional Fluminense (antigo Theatro São Pedro de
Alcântara) pela Cia João Caetano e da comédia “ O Juiz de Paz da Roça” de
Martins Pena (de 4/10/1838). A onda dominante de mudança estava no ar
precedendo a abdicação de Dom Pedro I. Nessa hora, os interessados em teatro,
como Manoel José Vianna, assumiram em definitivo o caráter individual de
produção e criação dando ênfase aos argumentos nacionais. Em contato com os
meios artísticos na corte fez contato também com os trabalhos do grande dramaturgo carioca oitocentista Antonio José
da Silva, O judeu, que havia sido queimado na fogueira da Inquisição. Dele
absorveu em segunda mão a influência benéfica de Gil Vicente e Plauto.
A efervescência artística
ocorrida com a vinda da corte havia provocado
o surgimento de grandes e pequenos teatros no Rio de Janeiro. Para citar alguns: São Pedro de Alcântara -
hoje João Caetano -, Teatrinho de Luís Souza Dias e Grandjean de Montigny ao
lado dele, Teatro de Plácido, Teatro da
Rua dos Arcos, Teatro São Francisco de Paula,Teatro da Praia de Dom Manuel,
Teatro Vaudeville da Rua do Ouvidor e do outro lado da Baía da Guanabara O
teatro Niteroiense. Em sua passagem pelo
Rio recolheu também textos de diversos autores europeus. Estava disposto a
levar esta arte para Laranjeiras e São Cristóvão em Sergipe. Seu contato com
Luís Carlos Martins Pena permitiu-lhe manter correspondência com outros autores como Gonçalves Dias e Manuel
Antonio Alvares de Azevedo que enviaram textos que adaptou e encenou em seu
Theatrinho Popular. Pelo menos em dois destes teatros menores encenou
experimentalmente adaptações para fantoches “Juiz de Paz da Roça” e “Um
sertanejo na corte” e “A família e a festa da roça” de Martins Pena.
Sabe-se que além de encenar peças destes dramaturgos nacionais
Manoel José Vianna produziu suas próprias peças para bonecos que merecem uma pesquisa futura mais
aprofundada em seus originais e manuscritos. Sabe-se apenas os nomes de algumas
peças de sua autoria: Jesus Cristo no sertão, Um holandês e o cacique
Tupinambá, O caranguejo de pata quebrada
, A guerra de Cristóvão e Boipeba . Em
São Cristóvão e Laranjeiras suas peças movimentaram a sociedade Sergipana com
muita criatividade e bom gosto aliviando as agruras da vida dura da produção
agrepecuária.
Manoel José Vianna realizou com
sua pequena companhia de teatro uma verdadeira reencarnação caatinguenta de
Shakespeare empregando jovens, senhoras, senhoritas, idosos, clérigos,
escravos, caboclos, enfim quase todo o espectro social de Sergipe.












